segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O grito dos pássaros ao pairar sobre a água,
Os urros dos peixes provindos da profundidade,
O assobio da gaivota em um estridente pedido de socorro.
O brilho do sol transcendente no céu,
Azul, limpo, sereno,
Desaparecendo atrás de edifícios
Onde a solidão reside,
Seguida pela dor.
E, então, desaparece,
Se esconde.
A escuridão aparece no lugar do que deveria ser claridade,
E recobre cada fio de esperança que a luz trás,
Escurecendo o que deveria ser eterno.
Cada grito, cada urro, cada assobio, mantêm-se inaudíveis
Por conseguinte, intocáveis.
A solidão e a dor constantemente esquecidos,
Ignorados.
O pedido de ajuda contínuo das profundezas,
Junto com aquilo que deveria ser perene,
Com o sol que deveria reluzir,
Com a felicidade que deveria nos rodear,
Com tudo aquilo que desejamos,
Que sentimos transluzir de nossa pele
Que ouvimos lutando dentro de nossos corpos.
De volta o eterno,
De volta a luz,
De volta a vida...
Até que a claridade apareça novamente,
Com o pingo de fé que nos fará emergir da negritude profunda que nos recobre,
Até que a luz encubra a escuridão,
E traga de volta a esperança que nos pertence.
Nossa única alternativa,
Nossa única força imutável.